“A FNA é a demonstração que a agricultura é um setor vivo, com futuro e que procura a renovação e a inovação constantes”

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, faz nesta entrevista uma primeira abordagem ao que será a edição deste ano da Feira Nacional de Agricultura / Feira do Ribatejo, a realizar entre 8 a 16 de junho, no CNEMA em Santarém. Numa edição cujo tema central é “A Vinha e o Vinho”, o presidente da CAP destaca que o objetivo é dar palco aos agentes do setor e de potenciar novos públicos e novos consumidores.

Porquê a escolha do tema “O Vinho e a Vinha” para a edição de 2019 da FNA?
A Feira Nacional de Agricultura é o grande palco da agricultura nacional, e é natural que, edição após edição, escolhamos um tema diferente. Neste ano escolhemos “O Vinho e a Vinha” e, por exemplo, no ano que vem podemos vir a escolher o tema das florestas.

A Feira tem uma componente bastante intensa de colóquios, onde são abordados temas específicos do setor. Muitos desses colóquios são inclusivamente da responsabilidade das organizações do setor em destaque, seja da área produtiva da vinha, seja da área do vinho.

Os setores em destaque na Feira tiram partido do número de visitantes que se deslocam ao evento e levam a discussão dos temas a uma plateia mais alargada.

No ano passado, por exemplo, tivemos muito bom feedback após a Feira, com demonstrações claras de satisfação por parte dos expositores que nos transmitiram um resultado positivo pelo facto da Feira ter sido vocacionada para o setor do azeite que lhes dizia mais diretamente respeito.

Apesar do vinho ter estado sempre presente todos os anos ao longo da história da Feira, este ano é uma edição da feira especialmente vocacionada para o setor, alargando à questão da vinha. Com isso esperamos atrair um consumidor mais específico e potenciar inclusivamente novos aderentes ao tema.

Qual a mensagem que deixa aos expositores, patrocinadores e parceiros da FNA 2019?
A Feira é um lugar de exposição. Tudo o que diga respeito ao mundo rural é aqui exposto. Até o artesanato, os produtos caseiros, tudo o que tem qualidade e autenticidade tem lugar na FNA. É um lugar para os agentes económicos mostrarem o que produzem, fazerem novos negócios e expandirem o seu negócio atual. É a demonstração perante o País que a agricultura é um setor vivo, com futuro, procurando atrair nesta mensagem a juventude, os que são jovens agricultores e os jovens que ainda não sabem bem como se podem enquadrar nesse futuro.

A Feira Nacional da Agricultura é um lugar de discussão, é um lugar de lançamento, é um lugar de exibição e é também um lugar de convivência e de festa.

Um passo gigantesco para ter mais Ribatejo na FNA

Numa outra componente, que é a Feira do Ribatejo, a CAP e o Cnema têm procurado chamar de novo o Ribatejo mais tradicional de regresso à Feira Nacional de Agricultura, porque as duas feiras vivem em simultâneo.

Por isso, as atividades equestres e taurinas são áreas em que tem sido feito um esforço para trazer à FNA com mais intensidade e qualidade. “Em 2018, deu-se um passo gigantesco, com a criação de um espaço próprio para esse efeito e, este ano, teremos seguramente uma versão melhor do que no ano passado”, refere o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa.

Setor do vinho é de grande pioneirismo e arrojo a nível internacional”

A quebra de 10% na produção de vinho preocupa o setor e a organização da Feira?
Os agricultores estão habituados a encarar as alterações da atividade em função das condições de cada ano. O facto de ter havido um decréscimo na produção não quer dizer que tenha havido uma quebra na qualidade. Este ano poderá até ser melhor do que no ano passado.

O que pode ter causado esta flutuação de produção?
Na origem destas perturbações estão as alterações climáticas que são uma enorme preocupação. Trazem para atualidade outras matérias relacionadas, como a falta de chuva na altura própria, a regulação da temperatura – seja a mais ou a menos -, os períodos secos mais longos, a concentração da chuva, a possibilidade da rega passar a ser um instrumento diferente. Antigamente, quando se pensava a rega era só em função de haver mais produção ou menos produção. Agora a rega é um instrumento de agricultura de precisão.

Estas flutuações e alterações da produção de vinho serão certamente tema de debate na FNA 2019?
Há muitas questões para serem debatidas, até para se encontrarem justificações para uma quebra que, no ano seguinte ou no ano anterior, pode até nem se verificar. Ter havido uma quebra na produção neste ano pode não significar uma quebra no resultado económico dos produtores. Este setor tem grande arrojo e pioneirismo, é capaz de enfrentar o mercado internacional, de estar já num nível de minúcia e de aperfeiçoamento que vai desde a produção, à venda e ao consumo. É de facto, um setor que tem muita importância no espectro da produção nacional.